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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Prevenindo a tristeza

Probióticos melhoram o humor


 A suplementação de probióticos pode atuar como um adjuvante para melhorar ou prevenir a depressão.

 Um estudo mostrou que a introdução na dieta de probióticos contendo Bifidobacterium bifidum, Bifidobacterium lactis, Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus brevis , Lactobacillus casei, Lactobacillus salivarius, e Lactococcus lactis por 4 semanas reduziu a reatividade cognitiva para o estado triste. 

 Mas o que é a reatividade cognitiva?

 A reatividade cognitiva tem um papel principal no desenvolvimento e na manutenção da depressão.

 É, na verdade, um marcador de depressão. Ela é composta por ruminação de ideias agressivas, ou seja, ideias recorrentes ruins que acabam por causar irritação e stress. Além disso, a reatividade cognitiva é composta por pensamentos agressivos; aqueles onde a pessoa deseja realizar atos que possam ferir ou agredir a si mesma. Ainda, falta de esperança ou perda da motivação para o  futuro e  ideias suicidas. O grau de intensidade destas ideias é que irá determinar se será apenas um estado de melancolia ou de depressão instalada.

 Resumindo, os participantes do estudo diminuíram pensamentos agressivos e a “ruminação” de ideias negativas após a ingesta de probióticos.

 Outro estudo foi baseado na ingestão de Lactobacillus helveticus e Bifidobacterium longum com melhora do stress psicológico. Os Lactobacilos casei Shirota dados por 2 meses reduziram os sintomas de ansiedade na síndrome de fadiga crônica em outra pesquisa.

 Vamos explicar porque isto acontece.

 O intestino e o cérebro estão intimamente interligados por vias bidirecionais de comunicação, vias estas neurais, endócrinas e imunológicas.

 Esta comunicação envolve também a microbiota habitante do intestino que produz e libera moléculas sinalizadoras que interferem na regulação do cérebro e consequente alteração de comportamento do indivíduo.

 Modificando estes habitantes intestinais com as bactérias do bem ou os probióticos, pode-se modificar as respostas ao stress e sintomas de ansiedade e depressão.

 Estudos posteriores mostraram que a microbiota aumenta os níveis de Triptofano no sangue e consequente elevação dos níveis de Serotonina. Além disso, estas bactérias faziam uma verdadeira barreira intestinal impedindo a penetração de toxinas que desencadeariam todo o processo inflamatório.

 Estas conclusões são relativamente recentes e mais estudos estão sendo realizados para definir quais os tipos principais de probióticos que atuam nesta modulação do comportamento triste.

 Como a incidência de casos de depressão e ansiedade vem crescendo na atualidade, esta medida preventiva simples de introdução de probióticos na dieta torna-se cada vez mais importante.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Cólicas do recém nascido

Alergia Alimentar


 Houve um aumento expressivo nas alergias alimentares na maioria dos países.

 Estão aparecendo alergias a vários antígenos ou alergênicos alimentares novos e outros distúrbios como refluxo gastresofágico e alterações no padrão de evacuação como a obstipação ou prisão de ventre.

 A maioria das alergias alimentares vem ocorrendo nos países desenvolvidos. Entre os principais motivos para isso é a teoria da higiene já falada anteriormente, onde a criança é superprotegida e não entra em contato com alguns alergênicos ambientais e não desenvolve tolerância a eles. Além disso, em muitos países a amamentação não está sendo priorizada, porque a mãe tem um curto período de licença e deve voltar logo ao trabalho. E nós sabemos que o leite materno tem um papel importante na prevenção das alergias.

 As alergias podem ser causadas pela presença de toxinas ou drogas como aditivos e corantes no alimento, por uma deficiência da pessoa de alguma enzima que digere o alimento, ou pela imaturidade do aparelho digestório da criança. 

 Quando a criança entra em contato com um alimento novo, o organismo pode seguir o caminho da tolerância ao alimento ou o da sensibilização ao mesmo.  Se o órgão digestório não estiver pronto para isso, ou seja, imaturo, pode desencadear uma reação alérgica. É por isso que o pediatra vai introduzindo os alimentos devagar de acordo com a idade do bebê.

 Outra causa de alergia é a herança genética ou predisposição familiar. Ainda, se a pessoa está com a parede do intestino inflamada por algum motivo como uma infecção, ela fica porosa e deixa passar toxinas que determinam a alergia.

 Alimentos comuns que causam as alergias alimentares são o leite de vaca, a soja , o ovo e o amendoim. 

 No adulto ainda pode haver alergia alimentar a crustáceos e peixe. A criança pode ter alergia à caseína ou a proteínas do soro do leite. Não existe alergia à lactose e sim dizemos intolerância à lactose porque não é uma proteína específica e sim um açúcar que existe até no leite materno.

 A alergia alimentar pode aparecer como uma urticária (pequenas bolinhas vermelhas semelhantes a picadas de inseto), dermatite atópica ou eczema na pele, rinite, asma, diarreia persistente, cólicas, anemia, inflamação ao redor do ânus, inchaço de lábios ou olhos (angioedema) e inflamação do esôfago ou esofagite com engasgo frequente.

 É muito importante nos casos onde foi feito o diagnóstico de alergia ao leite de vaca a substituição por fórmulas adequadas. Produtos à base de soja muito conhecidos não são bons. Eles não fornecem os nutrientes necessários ao crescimento do bebê. O caldo de frango é ainda pior se considerarmos que o frango também é um alergênico.
 Fórmulas infantis com proteína extensamente hidrolisada ou até fórmulas de aminoácidos podem ser indicadas pelo médico. Mas a forma de leite ideal ainda é o materno e a indústria de alimentos ainda deverá ter muito trabalho para conseguir produzir uma fórmula tão completa como ele.

 O uso de probióticos na gestante, na mãe que amamenta e mesmo no bebê pode reduzir a chance de alergia alimentar e as temidas cólicas do recém-nascido.


segunda-feira, 30 de março de 2015

Protegendo nossos filhos da Alergia

 Dermatite atópica


  É uma doença onde a pessoa apresenta placas vermelhas com descamação e muita coceira na pele. Geralmente há uma história familiar do pai, mãe ou irmão que teve algum tipo de alergia, não só na pele, mas pode ser respiratória, como a rinite ou asma.
  No bebê pequeno a alergia pode aparecer nas bochechas, na área da fralda ou até nas dobrinhas. Na criança maior pode haver até espessamento da pele, sinais de coçadura intensa como arranhões e feridas. O paciente fala que até o exercício e o suor provocam coceira.
  Vários fatores explicam esta doença. A genética é o primeiro, ou seja, quando um parente próximo tem alergia, o bebê pode herdar esta suscetibilidade.  Ainda, alterações na barreira protetora da pele, alterações no sistema imunológico, o meio ambiente com poeira, stress emocional ou físico e infecções.

Como prevenir a doença nas crianças?

  Crianças com história de parentes com alergia como rinite, asma ou eczema (alergia na pele) podem desenvolver também algum quadro de alergia ou atopia ao longo de sua vida.
  A introdução precoce de probióticos na alimentação do bebê demonstrou ser protetora contra o desenvolvimento de alergia. Em outros países já existem fórmulas lácteas contendo probióticos como o Bifidobacterium bifidum ou lactis e lactococcus lactis. Há estudos demonstrando que a introdução de probióticos já na gestante pode prevenir quadros alérgicos no bebê.
  O aleitamento materno também é protetor. Na verdade o aleitamento materno é tudo de bom para o recém-nascido. O leite materno vem na medida certa para as necessidades alimentares e proteção do bebê contra infecções. Ele deve ser priorizado porque além de fornecer os nutrientes, tem probióticos e prebióticos favoráveis e elementos importantes como a vitamina A.
  O contato com animais precoce como com gatos e cachorros também mostrou ser protetor contra alergias e causar tolerância a muitas substâncias alergênicas. É a famosa teoria de limpeza. Se a criança é protegida demais num ambiente excessivamente limpo e não entra em contato com nenhum alérgeno ambiental, o seu sistema imunológico tenderá a se voltar para as alergias. Então aquela estória do seu filho que foi à praia ou parquinho e experimentou areia não é tão ruim assim. Eu conheço um bebê que provava a ração do cachorro e está forte e saudável hoje.

Dermatite atópica
Fonte: Dra. Silvia
  Os cuidados no banho são muito importantes como evitar banho muito quente e demorado, não usar bucha ou esponja que removem a barreira protetora da nossa pele. Após o banho é obrigatório o uso de um bom hidratante sem corante ou perfume. Evitar usar sabonetes antissépticos no banho porque alteram as bactérias boas protetoras da pele, além de terem um pH altamente alcalino que acaba irritando mais a pele. Sabonete antisséptico é justo aquele que faz tanta propaganda dizendo que protege a nossa pele das infecções.
  A introdução de vitaminas antioxidantes como a vitamina D e a E e suplementos como o óleo de peixe melhoram a doença.
  Há ainda alguns fatores ruins agravantes como a obesidade que é um fator de risco para asma e dermatite atópica.  Ou seja, o excesso de peso pode determinar uma dermatite ou asma mais graves. O amendoim, o ovo e os ácaros presentes na poeira doméstica também são fatores que desencadeiam ou pioram a doença.
  Numa próxima publicação falaremos um pouco sobre alergias alimentares. Então uma boa semana a vocês  meus leitores queridos.


domingo, 29 de março de 2015

Existem bactérias boas?

 Disbacteriose


  Nós vivemos numa relação de simbiose com algumas bactérias específicas que habitam a nossa boca, intestino, vagina e pele. As bactérias boas para a nossa saúde são os lactobacilos e as bifidobactérias.
  Se alimentamos as bactérias nocivas ou matamos as bactérias boas e sobra mais alimento para as ruins, ficamos doentes. Estra condição de alteração das nossas bactérias habituais é a disbacteriose. Além da doença, estas bactérias podem dificultar o seu tratamento.
  Quando comparamos as bactérias de uma pessoa saudável com uma doente verificamos que as do doente estão alteradas, portanto, a doença ocorre com a disbacteriose intestinal. Indivíduos obesos também apresentam bactérias diferentes das dos indivíduos com peso normal.


O que esta alteração das bactérias pode causar?

  Cada bactéria tem uma necessidade particular para sobreviver e se multiplicar. Algumas precisam de meio ácido, outras de meio alcalino, algumas de muito oxigênio e outras de pouco oxigênio, assim como os diferentes animais e seus meios ambientes. Assim, se um meio prevalece, uma determinada bactéria se multiplica. Uma pessoa irá determinar os diversos meios para diferentes bactérias no seu organismo dependendo de seu estilo de vida e alimentação. E isto refletirá no seu bem estar e saúde.
  As bactérias amigas (Probióticos) facilitam a digestão e absorção de nutrientes, melhoram nosso sistema imunológico e restringem o crescimento das bactérias E.coli nocivas que produzem toxinas.
  A parede do intestino normal deixa passar apenas os nutrientes e barra as toxinas. Nos casos onde houve esta alteração dos habitantes intestinais, a parede intestinal torna-se permeável a substâncias tóxicas que normalmente não seriam absorvidas. Elas atravessam a parede e ganham a circulação sanguínea chegando até os órgãos.  A partir daí surgem os quadros de alergia, intolerâncias alimentares, doenças crônicas intestinais, doenças reumatológicas, diabetes e até Alzheimer.
Tem início um processo de envenenamento do nosso corpo com os produtos tóxicos. Os rins, o fígado e o baço precisam trabalhar muito mais para eliminar estas substâncias. O fígado e o baço por sua vez sobrecarregados, podem não conseguir executar suas inúmeras funções como a de proteção imunológica.


O que pode desencadear esta alteração?

  O uso de antibióticos, por exemplo, para uma infecção na boca ou na pele pode alterar a flora da vagina e do intestino também.   O uso indiscriminado e prolongado de antibióticos por mais de três meses pode levar à formação de bactérias resistentes no paciente. E o pior é que pode gerar bactérias nocivas e resistentes nas pessoas próximas deste doente também. E assim cria-se esta guerra mundial contra as “superbactérias”.
  Outros fatores da nossa vida diária podem gerar esta mudança das bactérias como o stress crônico, o uso de hormônios e alguns anticoncepcionais, o flúor na água e creme dental, alto teor de açúcar e gorduras na dieta, dieta pobre em vitaminas e minerais, aditivos alimentares e corantes artificiais e resíduos de pesticidas nos alimentos.


Como reconstruir a nossa flora intestinal?

  Infelizmente as bactérias benéficas se recuperam de uma forma muito mais lenta do que as nocivas. Através de uma dieta rica em probióticos de boa qualidade como os Lactobacillus e Bifidobacterium específicos para cada pessoa podemos restabelecer o equilíbrio natural. Por exemplo, o Lactobacillus reuteri é bom para a saúde dentária, gestantes e nutrizes. O Lactobacillus helveticus é bom para infecção urinária ou por um fungo chamado de Cândida albicans. O Lactobacillus rhamnosus GG é usado no tratamento da dermatite atópica e muitos outros que iremos discutindo nas próximas publicações. Além dos probióticos falaremos dos prebióticos que são o alimento para estas bactérias do bem.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Alimentos Funcionais

Alimentos funcionais -pro e prebióticos


São alimentos que além dos benefícios que trazem por seu valor nutritivo, tem papel importante na redução do risco de certas doenças crônicas, aumentando a nossa qualidade de vida. Na verdade são alimentos conhecidos que fazem parte da dieta usual. Os alimentos funcionais não são alimentos enriquecidos com vitaminas e sais minerais.

A legislação americana (FDA) classifica os alimentos funcionais em cinco grupos: Alimento, suplemento alimentar, alimento para uso dietético, alimento-medicamento ou droga. A legislação brasileira define que o alimento tem propriedades funcionais boas à saúde, ao crescimento e desenvolvimento.
Exemplos destes alimentos são os probióticos, prebióticos e simbióticos.

O que são os probióticos?
Os probióticos são microrganismos vivos que irão agir sobre os nossos microrganismos habitantes intestinais resultando num aumento de resistência a infecções por patógenos. Ajudam a prevenir infecções gastrintestinais, melhora do sistema imunológico, melhor digestão da lactose em indivíduos intolerantes, alívio da prisão de ventre e melhor absorção dos nutrientes da nossa dieta. Ainda, há estudos que mostram a melhora de quadros alérgicos, infecções urinárias das mulheres, melhora dos níveis de gordura no sangue e até da pressão arterial.
Os iogurtes e leites fermentados são exemplos destes alimentos com probióticos.


E os prebióticos?

Os prebióticos são alimentos não digeríveis como oligossacarídeos e fibras dietéticas. Eles mudam a atividade e a composição dos microrganismos que habitam o nosso intestino. Isto é, podem reduzir organismos vilões causadores de doença ou aumentar os bonzinhos.

Além disso,os  prebióticos melhoram a absorção de cálcio e até a redução do risco de câncer de cólon. A chicória é rica num prebiótico chamado de Inulina, ajudando a reduzir as gorduras no sangue e estabilizar os níveis de glicose, retardando doenças do coração e o diabetes. Outras boas fontes são: a cevada, a aveia e a polpa desidratada da maçã. Outros prebióticos chamados de FOS (Frutooligossacarídeos) podem ser encontrados nas alcachofras, aspargos, beterrabas, banana, alho, cebola,tomate,tubérculos  como o yacon.

Os simbióticos são a combinação dos probióticos com prebióticos num mesmo alimento.
Estes alimentos, porém devem ser consumidos nas quantidades certas para cada pessoa, porque podem aumentar o número de evacuações, flatulência ou causar distensão abdominal.