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quinta-feira, 23 de março de 2017

Problemas nos pés

Sabendo identificar problemas diversos nos pés


 Duas alterações nas plantas dos pés que confundem não só pessoas leigas, mas também muitos médicos são as verrugas plantares ou popularmente chamadas de olho de peixe e os clavus e calos nas plantas dos pés.

 As verrugas têm causa viral e apresentam pequenos pontos pretos na sua superfície como explicado em outra publicação; aliás, foi esta a primeira postagem que deu inspiração ao surgimento deste blog: esclarecer as dúvidas das pessoas e pacientes.
 Já os clavus são lesões que crescem para dentro da pele dos pés devido à pressão e peso do corpo sobre os pés. Eles são da cor da pele normal e não apresentam os pontos pretos anteriores das verrugas.  Doem bastante como verdadeiros pregos nos pés e só se resolvem quando o atrito é retirado.

 Pés que suam muito apresentam a chamada hiperhidrose, ou funcionamento exagerado das glândulas de suor. Estes pés sempre úmidos podem desenvolver fungos nas plantas ou entre os dedos. Esta micose na planta dos pés pode aparecer como pequenas bolinhas de água ou vesículas principalmente na margem que contorna os pés. 


 Mas há outras alterações que podem surgir com pequenas bolinhas e descamação, a dermatite de contato ou alergia. Alergia esta causada por borracha de sandálias ou tênis ou couro e tinta de sapatos. Para diferenciá-las é preciso ver se as lesões estão bem no lugar onde o sapato encosta ou não; e fazer um exame micológico direto para identificar se há um fungo.


 Outra alteração que dá descamação plantar é a psoríase. Mas esta doença de pele apresenta uma descamação bem mais espessa, branca como descamação de cêra de vela e de tão grossa, o pé pode rachar e ter fissuras muito doloridas.


 Além da psoríase, o próprio fato de andar de sandália ou chinelo aberto com muito atrito leva ao ressecamento intenso e espessamento da pele plantar com rachaduras e fissuras. Neste caso um bom creme hidratante com ureia à noite com uma meia após para maior penetração deve melhorar.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cobreiro

 Herpes Zoster


É uma doença viral que atinge mais frequentemente pessoas de idade média e idosas.

 A maioria dos pacientes apresenta uma dor em queimação ou ardor e até mesmo coceira intensa num determinado local do corpo.

 Pode vir acompanhada de febre, dor de cabeça e mal estar ou cansaço intenso. Muitas pessoas procuram o serviço médico e ficam sem diagnóstico inicial, até o surgimento das lesões características. Estas são pequenas bolhas ou vesículas agrupadas com conteúdo líquido claro, seguindo o trajeto de um nervo.

 Às vezes, estas vesículas se infectam secundariamente por bactérias e se tornam amareladas, purulentas ou formam-se crostas depois de secas.

 A dor, principalmente em pessoas acima dos 50 anos, pode ser insuportável.

 O local mais comum do aparecimento das lesões é de um lado apenas das costas (acometendo o nervo intercostal), região malar (nervo trigêmeo) e lombo sacral. Quando afeta os olhos com úlcera de córnea ou há paralisia facial, tontura e surdez, pode ter acometido os nervos cranianos.

 O agente causal não é o mesmo vírus do herpes simples.

 Apesar do nome, é o vírus da Varicela-Zoster, ou da catapora.

 A pessoa teve catapora na infância e o vírus fica latente ou quieto por muitos anos. Num determinado momento, ele sofre uma reativação por alguma diminuição do estado imunológico do indivíduo e caminha pelos nervos periféricos até os gânglios nervosos e pele. Aí surgem as lesões típicas.

 Isto explica a dor intensa característica de acometimento de um nervo.

 O tratamento com medicação antiviral oral como Aciclovir, Fanciclovir ou Valaciclovir deve ser iniciado o mais rápido possível para evitar a nevralgia pós-herpética. Esta é uma dor de caráter neural que dura por meses após as lesões do herpes zoster terem desaparecido.

 Atualmente há uma vacina chamada de Zostavax  para pessoas a partir dos 50 anos aplicada em dose única no subcutâneo no braço. Esta, porém, está contraindicada em pessoas com alergia a Gelatina ou Neomicina.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A regra do ABCD funciona ?

 A velha regra do ABCD


 Muitas pessoas já devem ter lido sobre como fazer o auto-exame das manchas escuras na própria pele.

 Uma regra antiga comumente divulgada é a do ABCD. Quando olhamos para uma lesão na pele podemos observar as seguintes variações:

 A de Assimetria: se dividirmos a lesão na metade, uma metade é diferente da outra em coloração ou formato. Isto pode ser ruim.

 B de Bordas irregulares: o contorno da lesão não é regular e sim com saliências e reentrâncias. Fala a favor de malignidade.

 C de Coloração: Quanto maior o número de cores que apresentar, pior é.

 D de Diâmetro: nevus ou pintas maiores de 1cm têm um risco maior de se transformar em algo ruim.

 Na prática, o que ocorre é bem diferente. 

 Observando a figura a seguir podemos notar uma pinta ou nevus relativamente simétrico a olho nu, regular no contorno, poucas cores (2), e menor de 1cm. Pela regra do ABCD esta lesão seria benigna e a pessoa poderia ficar com ela.


 Na verdade, trata-se de um melanoma maligno, um tipo de câncer de pele que deve ser removido o mais rápido possível.

  Ao exame realizado no dermatologista de dermatoscopia a imagem se modifica. Ao redor da lesão notam-se pequenos pontos mais escuros nas bordas, muitas cores no seu interior até coloração azulada.


 Outro exemplo que poderia confundir o leigo, ou outro médico não dermatologista. Neste caso, a suspeita pela lesão a olho nu seria de algo ruim pela coloração extremamente escura e bordas irregulares. O médico poderia orientar uma retirada ampla deixando uma grande cicatriz na pessoa.


 Ao exame dermatoscópico, na verdade, trata-se de uma lesão muito benigna, chamada de queratose seborreica que não precisa ser removida.


 Já esta próxima lesão muito parecida com a anterior a olho nu, tem as bordas regulares, uma única cor, pequena, bem simétrica a olho nu , o que sugeriria ser bem boazinha.


 À dermatoscopia, porém, trata-se de outro câncer de pele, outro melanoma maligno.


 Portanto, o melhor a fazer é procurar um dermatologista pelo menos uma vez ao ano para fazer um “check up” ou revisão de toda a pele do corpo, incluindo o couro cabeludo. E realizar um exame detalhado de microscopia de superfície da pele de manchas escuras. 

 A dermatoscopia é um exame indolor, não invasivo, que avalia pintas e outras lesões dermatológicas e previne alguns tipos de câncer de pele, diferenciando lesões benignas de outras de risco. Ele aumenta a sensibilidade de identificação de novas lesões ou mudanças importantes nas antigas .

 Este exame utiliza um aparelho chamado de dermatoscópio. Antigamente utilizava-se um aparelho que emitia uma luz que atravessava um meio líquido (óleo mineral) e por uma lente de aumento de 10 vezes podia-se ver as lesões da pele por diferenças de reflexão.

 Hoje em dia os aparelhos não necessitam da aplicação óleo na pele. Eles emitem uma luz polarizada que facilita a visualização mais profunda da pele. A dermatoscopia tem a vantagem de aumentar muito as chances de um diagnóstico correto, desde que o médico seja bem treinado para visualizar as lesões da forma exata. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

“Arrumando Sarna para se coçar”

Escabiose


  Escabiose ou popularmente chamada de sarna é uma doença de pele causada por um ácaro, o Sarcoptes scabiei.
  Este ácaro é um parasita obrigatório do homem, isto é, não consegue viver fora da nossa pele.
  A fêmea penetra a camada mais externa da pele ou córnea e cava um túnel, onde deposita ovos e fezes. Ela vive de 4 a 6 semanas. Já o macho dura apenas 48horas após a fecundação da fêmea.


 Se o parasita dura tão pouco, porque a coceira pode se arrastar por meses?


  A doença na verdade é causada pela alergia a este ácaro. Outra causa da coceira é o movimento da fêmea escavando o túnel, que costuma ser à noite. Desta maneira, a coceira é pior à noite ou de madrugada para atrapalhar o sono.
  Além da coceira, o doente apresenta pequenas bolinhas vermelhas ou pápulas nas áreas mais quentinhas do corpo como axilas, umbigo, punhos, embaixo das mamas, nádegas e genitais. As crianças costumam ter estas lesões também no meio dos dedos e às vezes nas bochechas.
  Muitas vezes pode acontecer uma segunda infecção por bactérias em cima das lesões e aparecer pus e dor.

 

 Como posso pegar esta doença?

  A escabiose é transmitida de pessoa para pessoa por contato de pele com pele ou íntimo e mais raramente por roupas contaminadas como lençóis e toalhas.

 

 Como se trata?

  O tratamento é feito com o uso de substâncias como o enxofre dissolvido em vaselina ou creme. A pessoa aplica o creme na pele à noite e após oito horas toma banho e troca as roupas. Isto deve ser repetido cerca de quatro noites seguidas. Outros tópicos como a permetrina são usados uma única vez. Ainda, existe uma medicação de uso oral, a ivermectina  que pode ser usada em crianças maiores de dois anos e nunca em gestantes.
  É importante tratar todas as pessoas da mesma casa e contatos para não passar o parasita de um para o outro. As roupas devem ser bem lavadas e passadas a ferro pelo avesso. Cuidar de limpar também lençóis, cobertores e colchões. Anti-histamínicos orais aliviam a coceira.
  E não fique chateado ou envergonhado se por acaso pegou sarna, porque é de fácil contágio e mesmo pessoas limpinhas podem se contaminar.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Alterações de pele na gestante

 Sentindo na pele as mudanças da gestação


  As alterações hormonais que ocorrem na gravidez também produzem alterações na pele e suscetibilidade a algumas doenças nesta época.
  Algumas alterações são chamadas de fisiológicas, ou seja, normais, não sendo consideradas realmente doenças.
  A pigmentação acentuada em algumas áreas é um exemplo de alteração fisiológica. Pode haver um escurecimento da pele em algumas regiões como nos mamilos, axilas, pescoço, genitais externos e numa linha que percorre o centro do tronco também chamada de linea nigra. Esta pigmentação costuma clarear espontaneamente após o parto.
  Há, porém, um aumento nas pintas ou nevus e alguns podem sofrer uma alteração até para situação de pré-câncer ou câncer de pele. Isto porque há uma alteração do sistema imunológico durante a gravidez. É importante então fazer uma consulta no dermatologista para avaliar as pintas novas ou modificadas na cor ou forma.
  Outra pigmentação frequente é o melasma que será abordado numa próxima publicação devido à extensão do assunto.
  Os pêlos também podem aumentar e ficar mais visíveis na gestação levando ao chamado hirsutismo.   Já os cabelos sofrem uma queda mais acentuada, principalmente após o parto ou após o término da amamentação. Esta queda de cabelos costuma ser reversível, mas se muito acentuada pode perturbar o emocional da mulher devendo ser tratada.
  As unhas tendem a ficar mais frágeis e quebradiças, principalmente se há alguma carência nutricional.
  Os calcanhares dos pés ficam mais ressecados e podem rachar. Daí a importância de se hidratar bem toda a pele, evitando cremes com uréia ou ácido salicílico nesta fase.
  O estiramento da pele leva ao aparecimento das temidas estrias no abdome, mamas e coxas.



  Nesta hora é também importante hidratar bem a pele para amenizar o processo e evitar o ácido retinóico ou tretinoína, que pode causar mal formação no bebê principalmente no primeiro trimestre. 
  Há produtos no mercado específicos e bons para evitar as estrias nesta fase à base de hidroxiprolisilano, vitamina E, D-pantenol, manteiga de Shorea, manteiga de karité, óleo de rosa mosqueta.
  Nas áreas de dobras como pescoço, axilas, virilha e abaixo das mamas podem surgir pequenas lesões penduradas da cor da pele, os acrocórdãos e fibromas, relacionados ao aumento de peso. Muitos caem sozinhos após a gestação, outros devem ser removidos pelo médico. Não tem consequência ruim, só estética.


  Os altos níveis de estrógenos na circulação são responsáveis por algumas alterações vasculares como pequenos vasos chamados de telangiectasias, palmas das mãos vermelhas, hemangiomas rubis ou pontinhos vermelhos no tronco, as varizes e as hemorróidas. Daí a importância de se usar as terríveis meias elásticas. Difíceis de colocar, mais ainda de retirar, quentes, mas que aliviam muito o desconforto, o peso e a dor nas pernas. Muitas têm um ajuste na altura do abdômen para aumentar o tamanho durante a gravidez.
  Há ainda o inchaço na face, nariz, mãos e pés. Praticar exercícios como caminhar, beber muito líquido, repousar no meio do dia com as pernas elevadas e ter uma alimentação rica na albumina como a clara de ovos pode ajudar bastante nesta situação.
  Não só a pele, mas as mucosas também sofrem alterações na gestante. As gengivas crescem e causam problemas de dor e sangramento, as gengivites. É preciso uma boa higiene bucal com escovação suave das gengivas próximas aos dentes. O uso de vitamina C 1g ao dia oral também pode ajudar.
  Apesar destas alterações todas no organismo da mulher, se bem cuidadas não interferem na felicidade desta fase tão especial da gestante.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Depressão e Alimentação

Depressão têm relação com a flora intestinal?


  A serotonina é conhecida como o hormônio da felicidade. Quando seus níveis estavam baixos podia surgir a depressão. Os antidepressivos tinham o papel de impedir a degradação e a recaptação da serotonina no cérebro para elevar seus níveis.
  Por um bom tempo nos foi dito que o desbalanço químico de serotonina, norepinefrina e dopamina no cérebro causariam a depressão e outros transtornos mentais. A indústria farmacêutica teve um papel fundamental na difusão desta ideia, uma vez que arrecada cerca de US$ 10 bilhões só nos Estados Unidos com a venda de antidepressivos. Estudos novos demonstraram, porém, pacientes com depressão com níveis anormalmente altos de serotonina e norepinefrina e outros sem depressão com estes níveis baixos. A depressão, então, não seria apenas uma doença, mas um sintoma de algo maior no organismo. Isto é, a depressão seria um sintoma de um processo de inflamação crônica.
  Durante uma inflamação são liberadas várias substâncias chamadas de citocinas. Como exemplo de citocinas inflamatórias temos o TNF-α(fator de necrose tumoral), IL-1(interleucina), IFN-ɣ(interferon) que podem desencadear quadros psiquiátricos. Por outro lado, drogas antidepressivas reduzem estas citocinas inflamatórias.

Então se é a inflamação que causa a depressão, o que causa a inflamação?


  A nossa dieta e estilos de vida modernos são fatores para desenvolver a inflamação.
  Alimentos como açúcar, farinha refinada, gorduras oxidadas, gorduras trans, conservantes, aditivos, agrotóxicos além de outros geram este processo inflamatório. Já gorduras ricas em ácidos graxos ômega-3, ômega-6 e 9, comidas fermentadas e fibras não digeríveis são capazes de reduzir a inflamação.
  A obesidade é outro processo inflamatório que estaria ligado à depressão. O stress desencadeia a liberação das citocinas inflamatórias como TNF-α e IL-1. A privação de sono crônica também é outro fator de depressão. A deficiência de Vitamina D é outro fator porque níveis normais de vitamina D reduzem estas citocinas prejudiciais.
  Atualmente comenta-se que a nossa felicidade depende do nosso intestino.
  Quem imaginaria que distúrbios da flora intestinal na infância poderiam ser a causa de níveis baixos de serotonina no adulto?

Como a flora intestinal pode interferir nos níveis de serotonina no cérebro e inflamação no organismo?


  A flora intestinal significa o conjunto do todos os microrganismos que habitam o nosso intestino. Na verdade, a nossa flora intestinal repercute não só no cérebro, mas em todo o nosso organismo. Por exemplo, no desenvolvimento de alergias e intolerância alimentar, bem como no desenvolvimento de diabetes, desordens inflamatórias crônicas, obesidade e doenças autoimunes. Ela regula nosso apetite e a escolha dos alimentos que vamos comer.
  Atualmente acredita-se que ela seja responsável por doenças como o autismo e a depressão. Neste momento você deve estar se perguntando: Mas como isto é possível?
  Se pensarmos que a flora intestinal é responsável pela digestão e absorção de todos os nutrientes e substâncias vitais para o nosso organismo, bem como a manutenção da mucosa intestinal íntegra, formando uma barreira para a entrada de toxinas e metabólitos tóxicos que entram na corrente sanguínea, veremos o quanto ela é importante. Além disso, dela depende o funcionamento do nosso sistema imunológico.
  Logo após o nascimento, a flora intestinal desempenha um papel muito importante no desenvolvimento e amadurecimento do sistema imunológico e endócrino. Estes por sua vez, têm papel chave no desenvolvimento do sistema nervoso central.
  Quando a flora intestinal normal é substituída por bactérias nocivas, ocorre uma alteração da permeabilidade da barreira intestinal e substâncias como lipopolissacarídeos (LPS) são absorvidos e penetram na circulação, provocando a liberação de citocinas inflamatórias.
  Pesquisadores irlandeses demonstraram que uma flora alterada na infância afetava a produção de serotonina. Daí a importância em se defender o parto normal, a amamentação, o uso de probióticos na gestante e no lactente, evitar o uso excessivo de antibióticos para poder formar uma flora diversa e estável.
  Estudos mostraram que o uso de probióticos reduzia a intensidade de reações emocionais. Ratos de laboratório alimentados com probióticos respondiam de uma forma mais lenta ao stress. O mesmo estudo foi reproduzido em mulheres e as que recebiam probióticos por quatro semanas responderam de forma mais equilibrada e mais descontraída ao stress. Assim, descobrimos que não é só o stress que afeta o estômago e o intestino, mas os intestinos afetam o cérebro. Parece confuso? Estamos redescobrindo o que a medicina milenar tradicional Chinesa e a Ayrveda já tinham como um conceito definido.
  Concluindo, a nossa saúde fisica e mental dependem dos nossos hábitos alimentares.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Vitiligo é micose?

 Como é formada a melanina?


  A melanina é o pigmento específico da pele.  Pode variar da cor branca, amarela até marrom. Ela é produzida por células chamadas de melanócitos. Os melanócitos por sua vez, são células localizadas na camada mais profunda da epiderme. Eles possuem prolongamentos como os de um polvo que estão em contato com as outras células da pele: os ceratinócitos. É dentro destes prolongamentos que a melanina vai sofrendo reação química e mudando de cor desde branca até marrom. Esta reação de oxidação ocorre para nos defender dos raios solares. É por esta razão que costumamos brincar dizendo que o bronzeamento equivale a uma ferrugem, ou seja, houve uma reação química que estragou a melanina e a escureceu.

 O que ocorre na pessoa com vitiligo?

  Nas pessoas com vitiligo, por outro lado, há uma ausência de melanócitos e de melanina na pele. Esta alteração leva ao aparecimento de lesões mais brancas do que a pele normal do indivíduo. A causa exata é desconhecida.

 Por que surge o vitiligo?

  Há várias hipóteses para o seu aparecimento. Em alguns casos há uma história familiar de outros parentes com vitiligo. Em outros, porém, não há casos familiares conhecidos. Admite-se que haja liberação de substâncias tóxicas sobre os melanócitos impedindo a formação de melanina. Ainda, há uma teoria autoimune, onde o vitiligo estaria associado a outras doenças autoimunes como diabetes, distúrbios da tireoide, alopecia areata, etc. Nestes casos haveria a formação de anticorpos contra as próprias células do pigmento do paciente, destruindo-as.

 Como é a evolução dele?

  Algumas pessoas apresentam poucas lesões mais claras do que a pele, outras lesões muito brancas e múltiplas. A evolução costuma ser lenta, mas alguns casos raros onde há descoloração de áreas extensas rapidamente.
  Mesmo não se conhecendo direito a causa do vitiligo, é importante falar ao paciente que se trata de doença não contagiosa e benigna. As lesões não viram câncer e não causam danos à saúde. O problema é mesmo estético e o preconceito ou desinformação das pessoas. O paciente precisa apoio e saber que há controle da doença, isto é, ela pode estacionar ou até regredir completamente.

 Como é feito o tratamento?

  Os tratamentos visam estimular a repigmentação das lesões através de substâncias como os psoralênicos combinados à exposição solar ou luz ultravioleta.
  Hoje em dia há aparelhos de laser específicos como o Excimer que estimula a pigmentação e diminui o risco de câncer de pele causado pela exposição solar. Há ainda aparelhos de uso doméstico para estimular o pigmento da pele.
  Em muitos casos o tratamento é apenas uma maquiagem corretiva como uma base “cover block” para disfarçar as lesões.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Herpes simples

“A minha febre estourou a boca”


  Algumas pessoas se queixam de após um quadro de resfriado ou febre surgirem lesões dolorosas ao redor da boca. Mas é a febre que causa isso?
  Na verdade, a infecção é causada pelo vírus Herpesvirus hominis e admite-se que 90% da população já tenha entrado em contato com ele.
  A primeira infecção pelo vírus geralmente ocorre na infância e passa despercebida. Em alguns casos o doente pode apresentar lesões dentro da boca como aftas esbranquiçadas muito doloridas e trata-se da gengivoestomatite.  Estas lesões são tão dolorosas que dificultam a criança de comer.
  Crianças com a imunidade deprimida podem apresentar até distúrbios neurológicos, a meningoencefalite herpética. A criança tem febre alta, o estado geral está comprometido e tem muitos gânglios aumentados no pescoço.
  Os sintomas variam de acordo com o estado imunológico do paciente; quanto melhor a alimentação e o estado geral, mais rápida e benigna é a evolução da doença.
  Após esta primeira infecção, muitas pessoas  se tornam portadoras do vírus, isto é, ele fica escondido quieto no seu organismo e após algum stress físico ou fator desencadeante ele volta a aparecer. Nestes casos, o indivíduo adulto apresenta um ardor inicial avisando que algo está por vir. Depois surgem pequenas bolhas agrupadas em cima de uma pele avermelhada perto dos lábios, nariz ou até em outros locais como nádegas e genitais. Em geral esta infecção dura uma semana e pode até regredir sozinha. Costuma aparecer sempre nos mesmos locais, daí o nome de herpes recidivante.
  Os fatores que costumam fazer o herpes reaparecer são: o sol ou exposição a muito frio, stress e outras infecções que deprimam a resistência da pessoa. Então a febre que o paciente relata antes das bolhinhas na boca pode ser da outra infecção ou mesmo do próprio herpes se instalando.
  O tratamento é feito com cremes tópicos ou comprimidos à base de drogas antivirais como o aciclovir, fanciclovir ou valciclovir geralmente por 5 dias. Para evitar as recidivas é importante usar protetor labial sempre que se expuser ao sol e cuidar bem da saúde geral para aumentar as resistências do organismo. As vacinas anti-herpéticas dão resultados variados, muitas vezes prolongando os períodos sem o herpes. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Infecções em crianças pequenas: "Molusco Contagioso"

Molusco Contagioso é mesmo um molusco?



  É uma doença da pele causada por um vírus da família Parapoxvírus. Ela se apresenta com pequenas bolinhas da cor da pele parecidas com sagu translúcidas e com uma umbilicação ou depressão no centro das lesões. Muitas vezes é confundido com verrugas virais.
  O contágio é direto de uma pessoa para outra, podendo ser transmitido por contato sexual.
  O período que leva do contato ao aparecimento das lesões varia de 15 a 50 dias.
  Apesar de ser contagiosa não são todos que têm a doença. Acomete principalmente crianças pequenas e, algumas vezes, adultos com o sistema imunológico comprometido como transplantados ou HIV positivos. Crianças com tendência alérgica ou dermatite atópica também podem apresentar estas lesões. Pode surgir como uma única pápula ou lesões múltiplas e se espalhar facilmente pelo ato de coçar ou atritar a pele. Surge pelo contato pele com pele afetada ou até contato íntimo. As lesões são indolores, mas algumas vezes podem coçar.
  Muitas lesões podem sofrer um processo de inflamação com avermelhamento da pele ao redor e desaparecem espontaneamente.
  Já cheguei a acompanhar surtos de molusco contagioso contaminando várias crianças da mesma escola de natação. Por este motivo, quando o seu filho apresentar estas lesões é bom comunicar à escola para que providências sejam tomadas e todas as crianças tratadas.
  O tratamento consiste em retirar estas lesões com um aparelho chamado de cureta semelhante a uma pequena colher. A lesão é “raspada” ou curetada e em seguida aplica-se o Iodo. Se há muitas lesões em áreas peri genitais pode-se fazer a retirada em ambiente hospitalar até com anestesia tipo geral da criança. A curetagem não dói muito, ainda mais se efetuada após a aplicação de um creme anestésico como o Emla ou Dermomax. Mas as crianças ficam muito chateadas com o médico e saem com aquele olhar de não quererem voltar nunca mais.
  Por isso, há alguns cremes a serem usados em casa que aumentam a imunidade da criança ao vírus e o próprio organismo elimina as lesões, mas demoram a agir e o vírus continua se espalhando no período. Entre eles temos o Imiquimod e a Tuia. Há ainda tratamentos com a aplicação de solução de hidróxido de potássio a 10%, mas são incômodos.
  Para prevení-lo alguns estudos mostram que a aplicação de hidratantes nas crianças com propensão a pegá-los antes da natação faria uma camada protetora na pele. Ainda, tomar banho logo após a piscina para não ficar muitas horas com esta água na pele.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Protegendo nossos filhos da Alergia

 Dermatite atópica


  É uma doença onde a pessoa apresenta placas vermelhas com descamação e muita coceira na pele. Geralmente há uma história familiar do pai, mãe ou irmão que teve algum tipo de alergia, não só na pele, mas pode ser respiratória, como a rinite ou asma.
  No bebê pequeno a alergia pode aparecer nas bochechas, na área da fralda ou até nas dobrinhas. Na criança maior pode haver até espessamento da pele, sinais de coçadura intensa como arranhões e feridas. O paciente fala que até o exercício e o suor provocam coceira.
  Vários fatores explicam esta doença. A genética é o primeiro, ou seja, quando um parente próximo tem alergia, o bebê pode herdar esta suscetibilidade.  Ainda, alterações na barreira protetora da pele, alterações no sistema imunológico, o meio ambiente com poeira, stress emocional ou físico e infecções.

Como prevenir a doença nas crianças?

  Crianças com história de parentes com alergia como rinite, asma ou eczema (alergia na pele) podem desenvolver também algum quadro de alergia ou atopia ao longo de sua vida.
  A introdução precoce de probióticos na alimentação do bebê demonstrou ser protetora contra o desenvolvimento de alergia. Em outros países já existem fórmulas lácteas contendo probióticos como o Bifidobacterium bifidum ou lactis e lactococcus lactis. Há estudos demonstrando que a introdução de probióticos já na gestante pode prevenir quadros alérgicos no bebê.
  O aleitamento materno também é protetor. Na verdade o aleitamento materno é tudo de bom para o recém-nascido. O leite materno vem na medida certa para as necessidades alimentares e proteção do bebê contra infecções. Ele deve ser priorizado porque além de fornecer os nutrientes, tem probióticos e prebióticos favoráveis e elementos importantes como a vitamina A.
  O contato com animais precoce como com gatos e cachorros também mostrou ser protetor contra alergias e causar tolerância a muitas substâncias alergênicas. É a famosa teoria de limpeza. Se a criança é protegida demais num ambiente excessivamente limpo e não entra em contato com nenhum alérgeno ambiental, o seu sistema imunológico tenderá a se voltar para as alergias. Então aquela estória do seu filho que foi à praia ou parquinho e experimentou areia não é tão ruim assim. Eu conheço um bebê que provava a ração do cachorro e está forte e saudável hoje.

Dermatite atópica
Fonte: Dra. Silvia
  Os cuidados no banho são muito importantes como evitar banho muito quente e demorado, não usar bucha ou esponja que removem a barreira protetora da nossa pele. Após o banho é obrigatório o uso de um bom hidratante sem corante ou perfume. Evitar usar sabonetes antissépticos no banho porque alteram as bactérias boas protetoras da pele, além de terem um pH altamente alcalino que acaba irritando mais a pele. Sabonete antisséptico é justo aquele que faz tanta propaganda dizendo que protege a nossa pele das infecções.
  A introdução de vitaminas antioxidantes como a vitamina D e a E e suplementos como o óleo de peixe melhoram a doença.
  Há ainda alguns fatores ruins agravantes como a obesidade que é um fator de risco para asma e dermatite atópica.  Ou seja, o excesso de peso pode determinar uma dermatite ou asma mais graves. O amendoim, o ovo e os ácaros presentes na poeira doméstica também são fatores que desencadeiam ou pioram a doença.
  Numa próxima publicação falaremos um pouco sobre alergias alimentares. Então uma boa semana a vocês  meus leitores queridos.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Micoses

Ácido úrico aumentado x micose nos pés


Muitos pacientes chegam até mim falando:“Eu tenho ácido úrico aumentado, por isso meu pé descama.”Será que isto é realmente verdade ou um mito?


Ácido úrico aumentado não causa descamação nos pés.

O aumento do ácido úrico no sangue (hiperuricemia) pode desencadear uma doença chamada de gota. Formam-se pequenos cristais que se depositam em vários locais do corpo, como nas articulações, levando a surtos dolorosos, principalmente nos joelhos, tornozelos, calcanhares e dedos do pé.  Esta artrite mais comum no primeiro dedo do pé causa um avermelhamento da pele com uma dor extrema “em agulhadas”. Ainda bem que nem todas as pessoas com hiperuricemia desenvolverão gota, que é uma doença de caráter hereditário e afeta mais homens adultos com excessiva ingestão de bebidas e alimentos ricos em purina (cerveja, carne vermelha, frutos do mar, sardinha, salmão, e miúdos), mulheres na pós-menopausa e em pessoas com doenças renais.

Então o que causa esta descamação?

Fungos Dermatófitos
Fonte: Micoses Superficiais e Cutâneas
Por outro lado, uma doença comum que causa descamação nas plantas dos pés é a micose ou cientificamente chamada de Tinea pedis. Trata-se de uma infecção superficial da pele causada geralmente por fungos dermatófitos. 
Acomete frequentemente os pés e muito raramente as mãos.
Aparece com descamação e pele esbranquiçada úmida no meio dos dedos, até com rachaduras e fissuras bem dolorosas, as “frieiras”.  Pode apresentar pequenas bolhinhas, chamadas de vesículas contornando a planta dos pés ou uma simples descamação na região plantar com leve prurido, referida por muitos pacientes: “aquela coceirinha gostosa”.
Muitas vezes pode estar associada a uma alteração da coloração (amarela ou acastanhada) e aumento da espessura das unhas, que é a micose ungueal ou onicomicose. Esta, apesar do tratamento ser mais demorado, deve ser tratada também; não só pela aparência desagradável da unha, mas pelo risco de ser uma porta de entrada para outras infecções piores como a erisipela.


Como evitá-la?

A micose é mais comum nos meses de verão ou em pessoas com sudorese aumentada nos pés ou que ficam com os pés sempre fechados por sapatos e meias abafadas. Isto porque os fungos adoram um ambiente úmido. Muitas mães se queixam dos filhos que não querem tirar aquele tênis preferido que usam todos os dias. Não é chatice da mãe não. Os tênis e sapatos devem ser alternados e ficarem para tomar sol ou ventilar quando não estão sendo usados. O melhor é usar meia de algodão o menos sintética possível para absorver a umidade dos pés. Sempre que possível usar sandálias ou sapatos arejados.

Outras maneiras de se evitar pegar estes moradores indesejáveis nos pés é usar chinelos em clubes e academias. Secar bem os pés após o banho com toalha ou papel e, para aqueles com dificuldade de secar os pés direitinho, uma dica é secar com secador de cabelos entre os dedos.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Rosácea é acne?

Rosácea é acne?


Fonte: Dra Silvia
Nos livros encontramos que a Rosácea é uma doença da pele de longa evolução inflamatória caracterizada por vermelhidão e/ou pequenas bolinhas vermelhas (ou pápulas) e pequenos vasos aumentados (telangiectasias) principalmente no centro do rosto de mulheres entre 30 e 50 anos. No consultório, porém, ao longo destes vários anos muitas jovens com menos de20 anos e homens me procuraram com estas lesões. Estes pacientes vinham sendo tratados erroneamente de acne com ácido retinóico e salicílico e só pioravam com mais irritação da pele e vasos dilatados.

Como começa a rosácea?

No início a rosácea pode passar despercebida porque apresenta vermelhidão temporária desencadeada por alguma emoção como vergonha ou exercício físico. Aos poucos, surge uma sensação de calor intenso ou queimação que avisa a pessoa quando vai ficar extremamente vermelha a sua face. Esta vermelhidão pode ficar permanente e surgirem pequenas pápulas (bolinhas) ao redor da boca, nariz, queixo e bochechas.
Un ancià i el seu nét,
Domenico Ghirlandaio
Uma variante da rosácea é a ocular, podendo apresentar inflamação da borda dos cílios e conjuntivite. Nestes casos o médico oftalmologista deve examinar também para excluir uma ceratite ou ulceração com opacificação da córnea.
O rinofima é um grau mais avançado da rosácea onde há dilatação e inchaço do nariz principalmente, mas não exclusivo dos homens. Este pode ser tratado com laser fracionado com bons resultados.                                                               

E o tratamento? 

O tratamento da rosácea pode ser feito com cremes calmantes até antibióticos por boca dependendo do grau de inflamação. Ainda sessões de luz pulsada podem reduzir muito a vermelhidão e os pequenos vasos faciais, além de melhorar a qualidade da pele como um todo.
Eu sempre falo aos pacientes que tão importante quanto o tratamento é evitar os fatores desencadeantes ou de piora da rosácea como a cafeína, alimentos condimentados ou quentes, o álcool e o sol.
Quando a sensação de calor extremo facial surge, uma boa dica é usar e abusar das águas termais calmantes em spray ou chá de camomila gelado em compressas sobre a pele.
Há produtos no mercado muito bons para “acalmar” o rubor da pele a base de extrato de ruscus, dextrano, neurosensine. Como sempre nunca se esquecer de uma boa fotoproteção. 


quarta-feira, 4 de março de 2015

Verruga Genital

Condiloma ou "Crista de Galo"?


O que é?

Condiloma
Fonte: Dr. Fernando C.

É a verruga que ocorre nas mucosas oral, genital ou anal provocada por mais de 100 tipos de vírus HPV (papiloma vírus humano). Pode ter uma cor rósea ou esbranquiçada, ser de vários tamanhos até lesões vegetantes como uma couve-flor. Em outras áreas de pele estes condilomas aparecem como verrugas comuns. A maioria das infecções pelo HPV nos homens e mulheres não dá sintomas e passa despercebida.


Como se pega esta infecção?

A sua transmissão pode ser por contato sexual ou contato direto com pessoas contaminadas. Ele se instala em mucosas como a boca, a região genital, que compreende colo, vagina, vulva e ânus nas mulheres e, nos homens, pênis, bolsa testicular e ânus. Nas mulheres alguns tipos de HPV como o 16 e 18 podem favorecer o aparecimento de câncer de colo de útero. Daí a importância de se fazer a sua pesquisa. Os exames realizados para a prevenção do câncer de colo do útero são o Papanicolau ou Citologia Oncótica que detectam já as lesões iniciais. Devem ser feitos todos os anos em mulheres dos 21 aos 65 anos.


Como fazer o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado com exame de biologia molecular através de Swab ( esfregar com uma espécie de cotonete) genital. Este revela a presença do DNA viral, mas não localiza as lesões. Para isto, é necessário fazer a genitoscopia. Se a pesquisa por Swab do DNA do vírus HPV for positiva e não há lesão, o paciente pode estar com infecção chamada de latente. Nesses casos ainda não está indicado tratar, mas se o exame der positivo para os tipos de vírus com alto risco para câncer de colo de útero é melhor eliminá-los.
Se o Swab genital para o DNA viral der negativo, não podemos garantir que o paciente não tem a infecção pelo HPV, pois, pode ter lesões genitais antigas pobres em DNA viral. O paciente não será diagnosticado e nem tratado, podendo transmitir o vírus silenciosamente. O melhor é repetir este exame 6 meses após para confirmar se continua negativo.
A  genitoscopia (peniscopia e colposcopia) que consiste na visualização da região genital com lente de  aumento  após a aplicação de ácido acético, permite enxergar melhor as lesões e suas características quanto ao tamanho, localização e extensão, além de poder tratar todas as lesões no mesmo momento.


Como tratar?

O tratamento é baseado no uso de substâncias químicas como o ácido tricloroacético, a podofilina; quimioterápicos como o 5 fluorouracil, interleucina. Imunoterápicos como o Interferon alfa e beta, imiquimod e retinóides. O Imiquimod é um creme imunomodulador, ou seja, faz o organismo eliminar as lesões, é indicado principalmente nas lesões externas à mucosa. O tratamento cirúrgico baseia-se na curetagem, retirada com tesoura, bisturi ou excisão com alça de cirurgia de alta freqüência e o Laser. Deve-se tratar não só a pessoa que apresenta as verrugas, mas também os parceiros sexuais e contatos dela.


E a prevenção da infecção?

Para a prevenção da sua infecção foram desenvolvidas duas vacinas contra os tipos de HPV mais comuns no câncer de colo do útero. Uma é a chamada de vacina quadrivalente, ou seja, previne contra quatro tipos de HPV: o 16 e 18, presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero, e o 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais. A outra, bivalente, é específica para os subtipos de HPV 16 e 18.
A vacina estimula a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, a presença destes anticorpos no local da infecção e a sua permanência durante um longo período de tempo. Esta vacina é comercializada no mundo desde 2007 e até o momento fala-se em cinco anos de proteção, necessitando de mais tempo e estudos para se determinar a duração real da proteção conferida pela vacina. A Anvisa recomenda a vacina para mulheres a partir dos nove anos , em especial para as que ainda não iniciaram sua vida sexual, para garantir maior eficácia na proteção. Homens entre nove e vinte e seis anos de idade, pelo risco de câncer anal, também recebem indicação da vacina.
A aplicação é feita em três doses por injeção intramuscular. Para a vacina bivalente é realizada a primeira dose, depois de um mês a segunda dose e, a terceira, após cinco meses da segunda. Já na quadrivalente, a segunda dose é feita apenas dois meses após a primeira e, a terceira, também seis meses depois da primeira.
No SUS a vacina quadrivalente é aplicada em meninas de 9 a 13 anos e o esquema é diferente: a segunda dose é aplicada seis meses depois da primeira e a terceira dose apenas após cinco anos da primeira. Para as demais pessoas, a vacina está disponível apenas na rede privada.
É importante ressaltar que a vacina não dispensa o uso de preservativos na relação sexual e não substitui a realização anual do exame de Papanicolau.