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quinta-feira, 23 de março de 2017

Problemas nos pés

Sabendo identificar problemas diversos nos pés


 Duas alterações nas plantas dos pés que confundem não só pessoas leigas, mas também muitos médicos são as verrugas plantares ou popularmente chamadas de “olho de peixe” e os clavus e calos nas plantas dos pés.

 As verrugas têm causa viral e apresentam pequenos pontos pretos na sua superfície como explicado em outra publicação; aliás, foi esta a primeira postagem que deu inspiração ao surgimento deste blog: esclarecer as dúvidas das pessoas e pacientes.
 Já os clavus são lesões que crescem para dentro da pele dos pés devido à pressão e peso do corpo sobre os pés. Eles são da cor da pele normal e não apresentam os pontos pretos anteriores das verrugas.  Doem bastante como verdadeiros pregos nos pés e só se resolvem quando o atrito é retirado.

 Pés que suam muito apresentam a chamada hiperhidrose, ou funcionamento exagerado das glândulas de suor. Estes pés sempre úmidos podem desenvolver fungos nas plantas ou entre os dedos. Esta micose na planta dos pés pode aparecer como pequenas bolinhas de água ou vesículas principalmente na margem que contorna os pés. 


 Mas há outras alterações que podem surgir com pequenas bolinhas e descamação, a dermatite de contato ou alergia. Alergia esta causada por borracha de sandálias ou tênis ou couro e tinta de sapatos. Para diferenciá-las é preciso ver se as lesões estão bem no lugar onde o sapato encosta ou não; e fazer um exame micológico direto para identificar se há um fungo.


 Outra alteração que dá descamação plantar é a psoríase. Mas esta doença de pele apresenta uma descamação bem mais espessa, branca como descamação de cêra de vela e de tão grossa, o pé pode rachar e ter fissuras muito doloridas.


 Além da psoríase, o próprio fato de andar de sandália ou chinelo aberto com muito atrito leva ao ressecamento intenso e espessamento da pele plantar com rachaduras e fissuras. Neste caso um bom creme hidratante com ureia à noite com uma meia após para maior penetração deve melhorar.

terça-feira, 3 de março de 2015

Olho de Peixe

A verdade por trás do "olho de peixe"


O que é?

As lesões popularmente chamadas de “olho de peixe” são, na verdade, as verrugas nas plantas dos pés.
Verrugas são causadas por vários tipos de vírus, chamados de vírus dos papilomas humanos (VHP), com muitos subgrupos. Além da entrada do vírus pela pele por algum trauma, o desenvolvimento da verruga depende do estado imunológico e/ou suscetibilidade da pessoa.
Há vários tipos como a verruga vulgar, a plana, a filiforme (comprida e fininha), a plantar e até o condiloma acuminado.


Por que são chamadas assim?

Verruga plantar
As verrugas plantares são popularmente chamadas de “olho de peixe”, porque ao invés de crescerem para fora, crescem para dentro das plantas dos pés como verdadeiros pregos devido ao peso corporal. Além disso, apresentam pontinhos pretos que são causados por pequenos sangramentos devido ao atrito ao andar e pisar. Podem ser únicas ou várias devido à auto inoculação, isto é, coçar ou cortá-las pode espalhá-las por perto ou em outros locais. Podem ser dolorosas como calos e dificultar a pessoa de andar.

O que fazer?

O tratamento pode ser através da aplicação diária de ácidos como o salicílico, o acético, o tricloroacético, o lático; ou ainda crioterapia que é a aplicação de um spray frio de nitrogênio líquido que costuma ser mais eficaz. Quando isto não resolve, pode-se realizar a eletrocoagulação da verruga que é “queimá-la” com um aparelho específico deixando uma crosta escura no lugar desta que cai após alguns dias. Ainda, é aconselhável melhorar as defesas do indivíduo com uma boa alimentação rica em zinco (folhas verde-escuras), vitamina C e uso de substâncias como a Tuía.

E para preveni-las?

Para evitar estes invasores indesejáveis o ideal é tomar banho sempre de chinelos em hotéis, academias e clubes. Na próxima postagem falaremos sobre a verruga genital ou condiloma.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Verruga Genital

Condiloma ou "Crista de Galo"?


O que é?

Condiloma
Fonte: Dr. Fernando C.

É a verruga que ocorre nas mucosas oral, genital ou anal provocada por mais de 100 tipos de vírus HPV (papiloma vírus humano). Pode ter uma cor rósea ou esbranquiçada, ser de vários tamanhos até lesões vegetantes como uma couve-flor. Em outras áreas de pele estes condilomas aparecem como verrugas comuns. A maioria das infecções pelo HPV nos homens e mulheres não dá sintomas e passa despercebida.


Como se pega esta infecção?

A sua transmissão pode ser por contato sexual ou contato direto com pessoas contaminadas. Ele se instala em mucosas como a boca, a região genital, que compreende colo, vagina, vulva e ânus nas mulheres e, nos homens, pênis, bolsa testicular e ânus. Nas mulheres alguns tipos de HPV como o 16 e 18 podem favorecer o aparecimento de câncer de colo de útero. Daí a importância de se fazer a sua pesquisa. Os exames realizados para a prevenção do câncer de colo do útero são o Papanicolau ou Citologia Oncótica que detectam já as lesões iniciais. Devem ser feitos todos os anos em mulheres dos 21 aos 65 anos.


Como fazer o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado com exame de biologia molecular através de Swab ( esfregar com uma espécie de cotonete) genital. Este revela a presença do DNA viral, mas não localiza as lesões. Para isto, é necessário fazer a genitoscopia. Se a pesquisa por Swab do DNA do vírus HPV for positiva e não há lesão, o paciente pode estar com infecção chamada de latente. Nesses casos ainda não está indicado tratar, mas se o exame der positivo para os tipos de vírus com alto risco para câncer de colo de útero é melhor eliminá-los.
Se o Swab genital para o DNA viral der negativo, não podemos garantir que o paciente não tem a infecção pelo HPV, pois, pode ter lesões genitais antigas pobres em DNA viral. O paciente não será diagnosticado e nem tratado, podendo transmitir o vírus silenciosamente. O melhor é repetir este exame 6 meses após para confirmar se continua negativo.
A  genitoscopia (peniscopia e colposcopia) que consiste na visualização da região genital com lente de  aumento  após a aplicação de ácido acético, permite enxergar melhor as lesões e suas características quanto ao tamanho, localização e extensão, além de poder tratar todas as lesões no mesmo momento.


Como tratar?

O tratamento é baseado no uso de substâncias químicas como o ácido tricloroacético, a podofilina; quimioterápicos como o 5 fluorouracil, interleucina. Imunoterápicos como o Interferon alfa e beta, imiquimod e retinóides. O Imiquimod é um creme imunomodulador, ou seja, faz o organismo eliminar as lesões, é indicado principalmente nas lesões externas à mucosa. O tratamento cirúrgico baseia-se na curetagem, retirada com tesoura, bisturi ou excisão com alça de cirurgia de alta freqüência e o Laser. Deve-se tratar não só a pessoa que apresenta as verrugas, mas também os parceiros sexuais e contatos dela.


E a prevenção da infecção?

Para a prevenção da sua infecção foram desenvolvidas duas vacinas contra os tipos de HPV mais comuns no câncer de colo do útero. Uma é a chamada de vacina quadrivalente, ou seja, previne contra quatro tipos de HPV: o 16 e 18, presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero, e o 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais. A outra, bivalente, é específica para os subtipos de HPV 16 e 18.
A vacina estimula a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado, a presença destes anticorpos no local da infecção e a sua permanência durante um longo período de tempo. Esta vacina é comercializada no mundo desde 2007 e até o momento fala-se em cinco anos de proteção, necessitando de mais tempo e estudos para se determinar a duração real da proteção conferida pela vacina. A Anvisa recomenda a vacina para mulheres a partir dos nove anos , em especial para as que ainda não iniciaram sua vida sexual, para garantir maior eficácia na proteção. Homens entre nove e vinte e seis anos de idade, pelo risco de câncer anal, também recebem indicação da vacina.
A aplicação é feita em três doses por injeção intramuscular. Para a vacina bivalente é realizada a primeira dose, depois de um mês a segunda dose e, a terceira, após cinco meses da segunda. Já na quadrivalente, a segunda dose é feita apenas dois meses após a primeira e, a terceira, também seis meses depois da primeira.
No SUS a vacina quadrivalente é aplicada em meninas de 9 a 13 anos e o esquema é diferente: a segunda dose é aplicada seis meses depois da primeira e a terceira dose apenas após cinco anos da primeira. Para as demais pessoas, a vacina está disponível apenas na rede privada.
É importante ressaltar que a vacina não dispensa o uso de preservativos na relação sexual e não substitui a realização anual do exame de Papanicolau.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Histórias de Portugal


"Orelhas de coelhinho"


  Moluscos contagiosos e verrugas virais traumatizam as crianças. Eles são altamente contagiosos e se multiplicam muito rapidamente. Em pouco tempo o paciente já apresenta muitas lesões, dependendo do seu estado imunológico. Os métodos de remoção então costumam ser dolorosos.   
  
  Hoje, por acaso, veio uma miúda de 8 anos com uma série deles. Entrou no meu consultório cheia de medo, os olhinhos tão arregalados. Já sofrera antes com outros procedimentos e outros serviços dermatológicos.
   
  Ela vestia um lindo e grande laço branco na cabeça que mais pareciam orelhas de coelhinho. Falava como um adulto. Contava a história como ganhara as lesões e sabia cronologicamente os factos. Queria saber dos riscos e dores. Então combinei de lhe aplicar um creme anestésico e esperar muito tempo até ele fazer seu efeito. A miúda não tinha pressa. Podia esperar. Afinal gostou muito da minha marquesa (maca) e ficou deitada ali confortavelmente. Como eu precisava atender outros pacientes, coloquei-a na sala de espera. E a cada paciente que eu chamava, ela me mandava um”tchauzinho”. 

   A sala de espera do hospital já estava lotada e a miúda foi para um cantinho escondido no final da mesma. Mesmo assim, eu conseguia ver ao longe as pontinhas das "orelhas de coelhinho brancas".

   A certa hora me dei conta de que já devia chamá-la. Mas não a encontrei. Olhava de um lado para o outro e os pacientes que também esperavam apontaram para a casa de banho.

  A secretária foi buscá-la. E...nada. A casa de banho vazia. Neste ponto os pacientes que estavam ao lado da miúda já se preocupavam. A mãe já não estava ali também. De certo tinham desistido de esperar ou o medo falou mais forte.

  Então alguém se lembrou de que o hospital estava com obras. Portas abertas, outras bloqueadas, tapumes, material de construção. Um lugar fértil para se esconder. Onde estariam as minhas "orelhas de coelhinho"?

  Na recepção ninguém as vira sair. A sala ía se esvaziando e o dia quase no fim das consultas.

  Quando eu já havia desistido de procurar, um outro paciente de outro médico veio me trazê-la. É empolgante a solidariedade nestas horas. Estavam todos engajados em encontrá-la. 

  Consegui com o consentimento dela remover todos os "bichinhos". E contávamos um a um enquanto os destruíamos. Foi uma grande guerra. Ao final do procedimento ela me diz:” doutora obrigada por ser tão boa comigo”. Nem queria saber mais por onde ela andara.

  Mais um dia ganho rs. 


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Infecções em crianças pequenas: "Molusco Contagioso"

Molusco Contagioso é mesmo um molusco?



  É uma doença da pele causada por um vírus da família Parapoxvírus. Ela se apresenta com pequenas bolinhas da cor da pele parecidas com sagu translúcidas e com uma umbilicação ou depressão no centro das lesões. Muitas vezes é confundido com verrugas virais.
  O contágio é direto de uma pessoa para outra, podendo ser transmitido por contato sexual.
  O período que leva do contato ao aparecimento das lesões varia de 15 a 50 dias.
  Apesar de ser contagiosa não são todos que têm a doença. Acomete principalmente crianças pequenas e, algumas vezes, adultos com o sistema imunológico comprometido como transplantados ou HIV positivos. Crianças com tendência alérgica ou dermatite atópica também podem apresentar estas lesões. Pode surgir como uma única pápula ou lesões múltiplas e se espalhar facilmente pelo ato de coçar ou atritar a pele. Surge pelo contato pele com pele afetada ou até contato íntimo. As lesões são indolores, mas algumas vezes podem coçar.
  Muitas lesões podem sofrer um processo de inflamação com avermelhamento da pele ao redor e desaparecem espontaneamente.
  Já cheguei a acompanhar surtos de molusco contagioso contaminando várias crianças da mesma escola de natação. Por este motivo, quando o seu filho apresentar estas lesões é bom comunicar à escola para que providências sejam tomadas e todas as crianças tratadas.
  O tratamento consiste em retirar estas lesões com um aparelho chamado de cureta semelhante a uma pequena colher. A lesão é “raspada” ou curetada e em seguida aplica-se o Iodo. Se há muitas lesões em áreas peri genitais pode-se fazer a retirada em ambiente hospitalar até com anestesia tipo geral da criança. A curetagem não dói muito, ainda mais se efetuada após a aplicação de um creme anestésico como o Emla ou Dermomax. Mas as crianças ficam muito chateadas com o médico e saem com aquele olhar de não quererem voltar nunca mais.
  Por isso, há alguns cremes a serem usados em casa que aumentam a imunidade da criança ao vírus e o próprio organismo elimina as lesões, mas demoram a agir e o vírus continua se espalhando no período. Entre eles temos o Imiquimod e a Tuia. Há ainda tratamentos com a aplicação de solução de hidróxido de potássio a 10%, mas são incômodos.
  Para prevení-lo alguns estudos mostram que a aplicação de hidratantes nas crianças com propensão a pegá-los antes da natação faria uma camada protetora na pele. Ainda, tomar banho logo após a piscina para não ficar muitas horas com esta água na pele.